domingo, 20 de novembro de 2011

tudo bem protegido!

Depois de ter comprado uns em Göteborg em Setembro..... no sábado voltei a investir nas minhas orelhas!

(pull and bear)

o "meu" miguel!!!!

(diario de Lisboa)

usava tanto quando era pequenina....

Tenho de ir à retrosaria....

(lou boos and shoes)

bread slowly.....

(atlantic-pacific)

ando virada para alguns poemas.....

Escuta, Amor

Quando damos as mãos, somos um barco feito de oceano, a agitar-se sobre as ondas, mas ancorado ao oceano pelo próprio oceano. Pode estar toda a espécie de tempo, o céu pode estar limpo, verão e vozes de crianças, o céu pode segurar nuvens e chumbo, nevoeiro ou madrugada, pode ser de noite, mas, sempre que damos as mãos, transformamo-nos na mesma matéria do mundo. Se preferires uma imagem da terra, somos árvores velhas, os ramos a crescerem muito lentamente, a madeira viva, a seiva. Para as árvores, a terra faz todo o sentido. De certeza que as árvores acreditam que são feitas de terra.

Por isto e por mais do que isto, tu estás aí e eu, aqui, também estou aí. Existimos no mesmo sítio sem esforço. Aquilo que somos mistura-se. Os nossos corpos só podem ser vistos pelos nossos olhos. Os outros olham para os nossos corpos com a mesma falta de verdade com que os espelhos nos reflectem. Tu és aquilo que sei sobre a ternura. Tu és tudo aquilo que sei. Mesmo quando não estavas lá, mesmo quando eu não estava lá, aprendíamos o suficiente para o instante em que nos encontrámos.

Aquilo que existe dentro de mim e dentro de ti, existe também à nossa volta quando estamos juntos. E agora estamos sempre juntos. O meu rosto e o teu rosto, fotografados imperfeitamente, são moldados pelas noites metafóricas e pelas manhãs metafóricas. Talvez outras pessoas chamem entendimento a essa certeza, mas eu e tu não sabemos se existem outras pessoas no mundo. Eu e tu declarámos o fim de todas as fronteiras e inseparámo-nos. Agora, somos uma única rocha, uma única montanha, somos uma gota que cai eternamente do céu, somos um fruto, somos uma casa, um mundo completo. Existem guerras dentro do nosso corpo, existem séculos e dinastias, existe toda uma história que pode ser contada sob múltiplas perspectivas, analisada e narrada em volumes de bibliotecas infinitas. Existem expedições arqueológicas dentro do nosso corpo, procuram e encontram restos de civilizações antigas, pirâmides de faraós, cidades inteiras cobertas pela lava de vulcões extintos. Existem aviões que levantam voo e aterram nos aeroportos interiores do nosso corpo, populações que emigram, êxodos de multidões famintas. E existem momentos despercebidos, uma criança que nasce, um velho que morre. Dentro de nós, existe tudo aquilo que existe em simultâneo em todas as partes.

Questiono os gestos mais simples, escrever este texto, tentar dizer aquilo que foge às palavras e que, no entanto, precisa delas para existir com a forma de palavras. Mas eu questiono, pergunto-me, será que são necessárias as palavras? Eu sei que entendes o que não sei dizer. Repito: eu sei que entendes o que não sei dizer. Essa certeza é feita de vento. Eu e tu somos esse vento. Não apenas um pedaço do vento dentro do vento, somos o vento todo.

Escuta,
ouve.
Amor.
Amor.

José Luís Peixoto, in 'Abraço'

terça-feira, 15 de novembro de 2011

posso?

(le love)

Moon River-Breakfast at Tiffany's

Uma necessidade obvia

Ontem estive 1h10 e hoje 45 minutos à espera para entrar no hospital..... Querido Papá, isto tornou-se uma necessidade para poder ir trabalhar..... Sim?


(am-lul)

ainda estou na inspiração e não devo voltar à expiração




(stockholm street style)

Daqui a muitos anos gostava de ser assim....




(the sartorialist, alfaiate lisboeta, ana clara garmendia, style approach)

You have to forgive me



Maratona de sex and the city este fim de semana.... all weekend long!

too many things to say to the world

Estou a faltar para com o blog.... eu sei. Desculpem, mudei-me para outro planeta....
Bom, tenho tanto para escrever e confesso que nem sei por onde começar. Vamos tentar pelo "início".

 - Museu da Ciência e história natural
que desilusão.....
Fiquei tão triste mas tão triste. Nem nem me recordava da última vez que lá tinha estado. Penso que a visita vale pelo próprio edifício, pelo laboratório de química e de física e pelo anfiteatro (vibrava se desse 1 aula lá). Nada mais... E neste momento pela exposição dos minerais (tive que ouvir os berros de 2 professoras do secundário alentejanas que a cada mineral gritavam: aiiii tão bonito) 
Acho quase insultuoso pagar um bilhete de 10 euros para ver os 2 museus e exposições que ficam muito, mas mesmo muito longe do que vimos em tantas cidades no mundo. Eu que nunca dou grande importancia ao custo dos bilhetes e que acho que qualquer preço é sempre justo quando se trata de museus (ahhhh, tirando o palácio dos Boiardos Romanov em Moscovo que também não vale o preço que pagamos e muito menos incluí-lo na visita cultural), achei que fui roubada.
Para além do preço, não dão atenção nenhuma aos visitantes. Pelo que percebi estes dois museus vivem à "custa" das visitas de estudo escolares. Era a única visitante. E nem isso foi tido em conta quando visitei a exposição "A aventura da terra", não ligaram a banda sonora!!! Só no final quando vi a ficha técnica da exposição e que vi que havia e, mais tarde ainda re-confirmei quando regressei da exposição de fotografia e passei por uma visita de estudantes e eles tinham banda sonora...
E confesso, custa ver tantos funcionários a não fazerem nada e a falar ao telemóvel.


 - Exposição na Gulbenkian
Em contrapartida, a exposição da Gulbenkian merece que até dia 8 de janeiro se visite e re-visite e re-visite - atenção que aos domingos é grátis. Adoro saber que estou a respirar o mesmo ar que aqueles quadros. Adoro saber que por segundos tenho à minha frente aqueles nomes..... Já com a exposição antecessora desta eu tinha vibrado imenso, agora vale novamente a pena voar para a Gulbenkian..... Obrigada pelo excelente almoço DA! Mesmo com 1 hora de tempo de espera, tinha saudades dos nossos almoços num dos melhores buffets de Lisboa!!
O que não é justo é a discriminação entre o publico em geral e os velhotinhos.
Toda a gente sabe o que adoro os mais velhos. O que deliro com eles, trazia todos para casa e adorava ser dona de um lar. Mas desculpem, porque é que eles podem passar da linha encarnada e "nós" não?!?!?! Porque é que "nós" temos logo o segurança em cima e eles não?!?!? Eles podem respirar mais os quadros (#GS)/&$#)=?=)()/ - not fare!!!)
Bem, a Gulbenkian é geriatric friendly.....

 - Casa de chá da Rua das Salgadeiras
Não entendo como uma casa de chá que tem tudo para ser um sucesso tem um serviço tão mau.... e nem é pela educação e bons modos! Nada disso, é mesmo pela má gestão em termos de serviço....

 - Elevador do Lavra
Passeio obrigatório!!!! Tão bom.... pensar que estamos no mais antigo dos elevadores... passeio delicioso.
Por vezes gostava de fazer turismo na minha cidade, alugar uma casa por uma semana só para ter o prazer de poder incluir na minha rotina diária determinados apontamentos da cidade. Adorava passar uma semana em que "descesse de manhã e subisse ao final do dia"!

 - Chiado
Numa tarde de sábado é um bombom tão saboroso.... com cheiro a castanhas assadas como cobertura.

 - Casa de chá de Alvalade
O chá.... tão cosi para o Inverno...... que bom! Obrigada DA pela companhia e pelos lanches de conversa sem parar! Pela capacidade inesgotável de me ouvires de me responderes sempre com sábias palavras e compreensão.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

hoje... hoje faz todo o sentido

São as Pessoas como Tu


São as pessoas como tu que fazem com que o nada queira dizer-nos algo, as coisas vulgares se tornem coisas importantes e as preocupações maiores sejam de facto mais pequenas. São as pessoas como tu que dão outra dimensão aos dias, transformando a chuva em delirante orvalho e fazendo do inverno uma estação de rosas rubras.
As pessoas como tu possuem não uma, mas todas as vidas. Pessoas que amam e se entregam porque amar é também partilhar as mãos e o corpo. Pessoas que nos escutam e nos beijam e sabem transformar o cansaço numa esperança aliciante, tocando-nos o rosto com dedos de água pura, soltando-nos os cabelos com a leveza do pássaro ou a firmeza da flecha. São as pessoas como tu que nos respiram e nos fazem inspirar com elas o azul que há no dorso das manhãs, e nos estendem os braços e nos apertam até sentirmos o coração transformar o peito numa música infinita. São as pessoas como tu que não nos pedem nada mas têm sempre tudo para dar, e que fazem de nós nem ícaros nem prisioneiros, mas homens e mulheres com a estatura da vida, capazes da beleza e da justiça, do sofrimento e do amor. São as pessoas como tu que, interrogando-nos, se interrogam, e encontram a resposta para todas as perguntas nos nossos olhos e no nosso coração. As pessoas que por toda a parte deixam uma flor para que ela possa levar beleza e ternura a outras mãos. Essas pessoas que estão sempre ao nosso lado para nos ensinar em todos os momentos, ou em qualquer momento, a não sentir o medo, a reparar num gesto, a escutar um violino. São as pessoas como tu que ajudam a transformar o mundo.

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'